Road to CLM - Mapeando o Modern do CLM10
12/01/2018 10:00 / 3,569 visualizações / 6 comentários

 

Olá! Começamos 2018 com tudo, já de olho na Grande Final do CLM 10! Apesar de já ter o spoiler completo de Rivals of Ixalan disponível para análise, o formato normalmente mais impactado por lançamentos é o Standard. O Modern, com seu power level superior e barreira de entrada para novas cartas mais alta, absorve muito menos cartas, e mesmo quando o faz, dificilmente essa inclusão é imediata a ponto de sacudir o formato logo nas primeiras semanas.

O evento que todos os adeptos do Modern seguem esperando é o Pro Tour Bilbao, que será no mesmo final de semana da Grande Final do CLM 10. Isso significa que ainda não teremos esse evento como divisor de águas na evolução do metagame Modern antes da Final, no máximo com os decks que aparecerem na câmera no primeiro dia tendo algum impacto nas escolhas dos classificados, mas dificilmente mudando completamente suas escolhas de decks.

Fora esse aspecto, o Modern na vida real tende a se adaptar mais lentamente que no cenário profissional/grinder dentro do Magic Online, considerando que o fator emocional e orçamentário influenciam muito mais no "mundo real". Tendo isso em vista, pretendo no artigo de hoje realizar um mapeamento dos decks que se classificaram nos Torneios Top 8 das lojas desse nosso Brasilzão para termos uma ideia aproximada de qual metagame esperarmos no dia 04 de Fevereiro.

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Para realizar essa análise, fui na página do Ranking em todas as lojas que realizaram classificatórias Modern, e listei os arquétipos dos campeões e vice-campeões de todas as lojas que tinham decks cadastrados para esses eventos, chegando em um total de 118 decks. Vale ressaltar que o número de classificados é maior do que isso, já que algumas lojas não tinham decks cadastrados para o campeão ou o vice, não tinham lançado o resultado do Top 8 na data do levantamento desse artigo, e a análise excluiu torneios como Abertos, potenciais classificados nas vagas coringas do Draft, ou o fato de que alguns dos classificados ganharam a vaga como 3°/4° colocados em lojas onde algum jogador previamente classificado jogou o Top 8 chegando às finais ou drope de sua vaga.
 
Dessa forma, chegamos nos seguintes arquétipos e quantidades, respectivamente, com sub-arquétipos, variações e splashes entre parênteses:

Eldrazi Tron: 13
RG Valakut: 12 (10 Shift, 2 Breach)
Jeskai: 9 (7 Tempo, 1 Control, 1 Nahiri)
UW Control: 6
Affinity: 6
BGx Midrange: 6 (5 Abzan, 1 BG)
Tron: 6 (3 BG, 1 MonoG, 1 RG, 1 MonoU)
Counters Company: 5
Merfolks: 5 (4 UG, 1 MonoU)
BW Eldrazi and Taxes: 4
Boros Burn: 4
Ad Nauseam: 4
Humans: 4
Death Shadow: 4 (3 4/5C, 1 Grixis)
Elves: 3
UR Storm: 2
UG Infect: 2
Skred Red: 2
8-Rack: 2 (1 Mono B, 1 BW)

Outros: 19 (5C Midrange, Bant Eldrazi, Jund Moon, Sultai Delver, Bant Humans, Bant Reliquary/Coralhelm, Bant Company, Big Naya, Revolt Zoo, RW Kiki-Angel Goblins, Cheerios, Bogles, RW Prision, Lantern Control, Mono White Hatebears, Grixis Control, UB Control, Jeskai Copycat, UR Breach Moon).

É importante lembrar que esse desenho de metagame serve apenas como base, e não algo para seguir cegamente montando o sideboard em cima. A estrutura do chaveamento do Top 8 CLM provoca suas próprias situações: decks lineares que sofrem para uma peça de hate forte (UR Storm, Living End, Dredge) são subrrepresentados dentre os classificados já que são escolhas "ruins" em um torneio onde seu universo de potenciais oponentes é reduzido aos três da sua chave. Afinal, chega a ser quase loucura jogar, digamos, de Dredge, quando você é conhecido por ser o jogador de Dredge da loja, já que todos na sua chave vão estar equipados com hate pesado de cemitério.
 
Todavia, mesmo com o conhecimento da chave, ainda tivemos seis jogadores classificados de Affinity. Alguns deles podem ter se beneficiado de elemento surpresa, mas ainda assim mostra muito do poder do deck estar no Top 4 de arquétipos que mais classificaram jogadores considerando o hate dos sideboards no chaveamento.

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O que esse modelo beneficiou, entretanto, foram os decks no lado mais "justo" do espectro. Eldrazi Tron, Valakut e Jeskai não chegam a ser surpresas, já que quando estamos diante das tentativas de "next level" na escolha do deck, ater-se a baralhos versáteis, com um plano de jogo forte e difíceis de serem quebrados por apenas uma carta no sideboard é uma escolha segura. Alie ao fato de que esses três decks sempre foram bem populares por aqui, e temos escolhas especialmente atrativas e convenientes para os jogadores que estavam mais ao topo de suas chaves (1°/2° ou 3°/4°), que não tinham plena certeza de qual oponente enfrentariam.

UW Control (puro) e BGx Midrange (principalmente Abzan) foram outras das escolhas que classificaram boa quantidade de jogadores jogando "justo", em boa parte também pelo poder de sideboard que o branco oferece. Completando o "pelotão da frente", o deck que mais joga injustamente é o Tron (e em certo grau o Valakut), um competidor que vem numa crescente nos últimos campeonatos grandes e que é relativamente difícil de ser hateado sem dedicação exclusiva para tal por decks cuja match up não é inerentemente boa.
 
 
A principal ausência dentre os decks justos e que vem em constante queda nos últimos eventos é o Grixis Death Shadow. Somente um jogador conseguiu a vaga na Final do CLM 10 com ele, com outros três pilotos de DS usando-se da lista mais agressiva com mais cores e Tarmogoyf. O deck que outrora fora o bicho-papão do Modern (e que a nível pessoal me "forçou" a mudar do Ad Nauseam para o Valakut para alguns eventos,) já começou a ser entendido pelos adversários, que conseguem mirar exatamente nos pontos fracos do Grixis DS. Redundância é o nome desse jogo, e é exatamente nesse ponto em que apostam decks como o Valakut e Eldrazi Tron (cujos decks praticamente inteiros são compostos de ramps e threats absurdas) e demais aggros lineares  como Merfolks, Affinity e Burn. Outros baralhos como Jeskai, UW Control e Abzan Midrange têm sua força na grande quantidade de interação para as poucas threats do DS e cards individualmente mais fortes que conseguem dominar o mid/late game, especialmente quando vindas do topo (onde os descartes não funcionam). Não que o Grixis Death Shadow seja uma má escolha de agora em diante, já que ainda tem excelente partida contra os combos dedicados (que costumam ganhar dos Big Manas e serem mais rápidos que os aggros lineares), mas o deck perdeu boa parte dos "passeios no parque" e agora tem que matar um leão por dia como todos os seus concorrentes.
 
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Embora a presença dos decks em si não me surpreenda, tendo em vista que "THIS IS MODERN" e qualquer deck pode vencer qualquer torneio, a qualquer momento (estou olhando para você, Skred Red campeão de GP que ninguém viu chegando), alguns arquétipos levantaram minhas sombrancelhas pela quantidade em que apareceram dentre os finalistas dos Top 8s ao considerar sua representação em metagames mais abertos.
Cinco jogadores se classificaram com Merfolks, sendo 4 deles utilizando verde e um Mono Blue. Apesar de ter uma boa quantidade de bad match ups dentre os principais decks do formato (como Valakut e Affinity), o deck ganhou bons reforços em Ixalan (redundância com mais drops 1 em Kumena's Speaker e 5-8 Silvergill Adept na forma de Merfolk Branchwalker), e se beneficia de um metagame em que midranges estão despreparados para enfrentar um "swarm" (Grixis Death Shadow é um exemplo de midrange assim). Mesmo nas outras partidas, uma mão de pouca/lenta interação pode ser facilmente disrupteada por Cursecatcher/ Spreading Seas e raceada pelos peixes, mostrando que apesar de fora do radar, não respeitar o suficiente a estratégia é um erro.
 

Outros quatro jogadores ganharam suas vagas pilotando Ad Nauseam, e embora eu, mais do que ninguém, saiba das forças do deck, chega a ser uma quantidade surpreendente considerando que o deck sempre foi uma fatia muito pequena do ambiente e que está em baixa no momento. Grixis DS continua no pedaço, Humans surgiu como Tier e o Infect ressurgiu, mesmo que timidamente, todas matchups que se aproximam de impossível para o combo. Mesmo o UW Control, que era uma partida tranquila, tornou-se mais complicada desde o lançamento de Gideon of the Trials (e agora Search for Azcanta), além de que, alguns Ad Nauseam têm optado por um número menor de Pact of Negation (ou até 0 cópias), em prol de Leyline of Sanctity no maindeck. 
 
Por fim, a baixa quantidade de Boros Burn também me chamou a atenção. Embora quatro classificados não seja de se jogar fora, é um deck que sempre espero ter bastante representação aqui no Brasil, principalmente por sua popularidade e capacidade de punir oponentes que não o respeitam, indo muito gananciosos e pesados nas builds de seus decks. Parte disso pode ser creditado à ressurgência do Jeskai nos tiers altos, que com suas interações rápidas e Lightning Helix, consegue controlar o Burn com certo conforto mesmo no G1. Outro fator é que, mesmo que sideboards, como Kor Firewalker, dificilmente sejam utilizados, sua estratégia linear mais simplória também pode ser hateada no modelo de chaveamento (com digamos, Valakut que use Courser of Kruphix/ Baloth Obstinado no main, ou Tron com mais Wurmcoil Engine e Colar de Basilisco).
 
Quanto aos demais decks ainda não citados, acredito que sua representação esteja próxima do que acontece no macroambiente Modern, no máximo um pouco para mais ou para menos. Lantern Control e U/R Breach Moon são decks que estão subindo em popularidade lá fora, e que eu esperava que mais jogadores o tivessem utilizado para ganhar suas vagas, mas ainda postaram ao menos um classificado. Outros decks eram alguns que eu não via faz algum tempo, mas que em outros momentos foram mais ou menos importantes no formato; alguns desses exemplos são RW Prision, Revolt Zoo, Jeskai Copycat, Bant Eldrazi e todas as variações de Zoo/Midrange com Collected Company que não possuem elementos de combo.
 
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Em termos práticos, o que essa análise significa para a Grande Final?
 
Como dito anteriormente, os números acima servem apenas para nos nortear, e não devemos montar nossos sideboards ou mudar completamente a escolha do deck por causa disso. Apesar de UR Storm ter sido uma escolha que não classificou muitos jogadores nos seus Top 8s, o deck segue como uma das principais forças do formato e com bom matchup contra os decks "big mana". Grixis Death Shadow ainda é o "fun police" mais forte para qualquer um que tente jogar fora das principais "convenções" do formato (leia-se: combos de mais de uma carta e decks altamente baseados em sinergia). Ignorá-los na hora de fechar a sua lista é por conta e risco, e algo que eu certamente não farei independente do deck que eu escolher.
 
Da mesma forma, entupir o sideboard mirando nos primeiros 3 ou 4 decks é igualmente arriscado. Montar o side com 4 Ceremonious Rejection e 4 Flashfreeze no seu Ux só porque Eldrazi Tron e Valakut foram os decks mais populares não é a melhor abordagem, já que os muitos outros decks que essas cartas são inúteis ainda são a maior fatia do meta, e os slots consumidos nesse plano "hate all-in" vão fazer falta.
 
Vale aqui a regra de ouro: monte o seu deck bem focado em executar seu próprio plano, conheça bem os demais decks do field para conseguir reagir em situações inusitadas com cartas versáteis no sideboard, e no máximo decida os "flex slots" ou aquele 74° ou 75° card em cima de expectativa de metagame. Abrir mão de um ou dois matchups impossíveis é perfeitamente aceitável, especialmente se você tiver feito o dever de casa com um plano para tentar roubar aqueles 1-2% de chances quando elas aparecerem na sua frente.
 
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Quanto a vocês, leitores, como enxergam o mapeamento dos classificados pelos Top 8s? Como veem esses decks impactando nas escolhas para a Grande Final? Quais arquétipos mais esperam ver lá? Deixem suas respostas nos comentários!
 
Abraços e até a próxima!
 
 

Matheus Akio Yanagiura (VIP STAFF sandoiche_13)
"Matheus Akio Yanagiura, mais conhecido como "Sandoiche", começou a jogar em 2003, em Flagelo. Representando a House of Cards, está sempre na vida do grind dos torneios em SP, tendo sido campeão da Grande Final do CLM 10 Modern, a maior até então. Como entusiasta do Magic, principalmente do competitivo, Sandoiche está sempre acompanhando todo o tipo de conteúdo publicado, buscando aprender e evoluir o quanto puder. Começou a publicar artigos sobre Magic periodicamente em 2012, colaborando para o Blog da Ligamagic desde 2015."
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Comentários

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Joohh (15/01/2018 01:37:10)

Muito bom artigo. Acredito que essa relação de decks classificados seja um retrato do meta game tupiniquim.

Asmita (14/01/2018 13:03:45)

bom nao sei com que base você diz isso, pois jogo modern desde sua criação e digo e no momento é o melhor momento do modern, nao me lembro de um meta tão diversificado como está agora, basta olhar os ultimos temos 6-7 top8 temos simplesmente em torno de 20 decks diferentes, dentre esses somente uns 4-5 são variações de algum outro ja no top8... entao resumindo sao em torno de 15 decks diferentes no ultimos 6-7 top8, dentre eles temos os mais variados tipos de decks desde lock decks, hard controls, combos, agros e tempo. por favor se for dar hate pelo menos venha com fundamentos.

GENERALLEE (14/01/2018 11:27:40)

eldrazi tron e valakut, que época triste por modern

JuninhoDarkSide (12/01/2018 20:20:13)

Excelente análise! Joguei de UW Control mirando nas bad match-ups do jeskai contra Valakut e Tron (decks que me deram bastante trabalho durante a temporada). Apostei pesado na tech de 4 Spreading Seas no main, mas acabou não sendo suficiente.

iAbadon (12/01/2018 14:40:23)

8-Rack mono B -> Fui eu haeuaeu. Achei que só teria eu que arrisquei com esse deck kkk

jorgefpcardoso (12/01/2018 11:08:00)

Maneiro! Fiz um levantamento parecido pra Final do Commander 1v1.